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Com a razão, sem esquecer a emoção
Fonte: Carro Online
 

João Anacleto - fotos: Pedro Bicudo

Se fosse só para acomodar todo mundo, não seria preciso pesquisar muito. A veterana Kombi está aí desde 1950 carregando gente para lá e para cá. E como você vai gastar, no mínimo, R$ 45 000, os R$ 47 110 pedidos pela van (na versão para passageiros) não saem muito do seu orçamento. Pronto, fim da reportagem. Mas eu sei que você não quer só isso. Quem busca um carro familiar, antes mesmo de pensar nos entes queridos, pensa também no lado pessoal. Por mais que você leve os filhos à escola todos os dias e viaje com frequência carregado de bagagens e pimpolhos, certamente não baseia a sua escolha em m². O maior peso nesta gangorra vem do prazer ao dirigir, gostar de olhar para o possante e conviver com ele. É fato.

Pedro Bicudo

Seguindo esse raciocínio, e aproveitan­do as reestilizações do Fiat Idea, em agosto, e do VW SpaceFox, há dois meses, levamos em conta fatores que cercam este mercado para escolher quem merece estar aqui. Motor 1.6, câmbio manual, muito espaço interno e preços semelhantes (de acordo com os opcionais que oferecem). O Idea sai por
R$ 45 610, mas vem “pelado” de série, se comparado ao rivais. Para se equiparar, precisa de airbags, ABS, ar-condicionado, rodas de liga leve, faróis de neblina, MP3 player e retrovisores elétricos, que elevam o seu preço para R$ 53 412. Aí ele consegue peitar o Nissan Livina SL, que sai por R$ 52 190, e o VW SpaceFox Sportline, que custa
R$ 55 190 e cobra mais R$ 1 060 pelo CD/MP3 player. O Nissan ainda traz bancos de couro de série, que no Fiat saem por R$ 2 170 e R$ 1 660 no VW.

Equipados assim, percebe-se que você busca mais do que espaço, não é? Vale até dar um pitaco sobre a aparência dos três. Beleza não se discute, claro, mas é evidente que o VW é o melhor resolvido. Suas linhas são bem harmoniosas e a “simplicidade chique” da nova dianteira confere uma impressão de qualidade superior. O Idea melhorou, até perdeu um pouco do visual apenas simpático com a reestilização, mas parece vir com um adesivo “razão” colado em sua testa. Já o Livina segue a linha do Fiat, mas sem tanta simpatia e ainda possui contornos e detalhes que estão longe de comover. Nada me faz crer que alguém vá comprá-lo porque o considera “uma graça”. É a razão ao quadrado.

Formas à parte, é importante não perder o foco. O Idea é imbatível nas medidas internas. Você pode até não gostar do seu visual “caixote”, mas, lá dentro, ele é o que presta os melhores serviços. O único incômodo surge na hora dos passageiros se segurarem. Não há uma alça na porta e as do teto estão em posição muito elevada.

No Livina, o espaço também é bom. No banco traseiro, aliás, a Nissan aumen­tou a distância do assento para o banco da frente com um recorte, ou seja, tornou-o mais curto. Só que, na prática, o recurso não apresenta nenhuma vantagem. Além disso, ele é mais estreito que o Fiat. Já o Volkswagen trata melhor quem viaja atrás, mas não é tão espaçoso quanto o
Idea para quem dirige. Isso porque o Fiat oferece uma posição mais elevada para o motorista. Já no SpaceFox, assim como no Livina, o condutor fica mais “encaixado” no carro, como se estivesse num sedã ou num hatch.

O VW ainda leva vantagem — agora sobre os dois rivais — quando você se ajeita para dirigir (item essencial nessa busca pelo prazer). Além da regulagem de altura do volante, só ele oferece ajuste de distância. Sua direção é rápida e o modelo ainda possui um belo volante e um painel requintado, que dão a impressão de se estar em um Passat.

Talvez pensando no volante e no painel dos VW, a Fiat resolveu melhorar esses itens no Idea, só que deixou de lado os ajustes e não mudou nada no modo “flutuante” como o carro se comporta em velocidades acima dos 100 km/h. No Livina, você sente mais o carro. Além da suspensão durinha, o volante vibra e conversa mais com você. O problema é que ele fala o tempo todo. Em desvios rápidos e consecutivos — pouco comuns, é verdade — a assistência elétrica sofre “apagões”. Não bastasse isso, faltou a regulagem de distância da coluna do volante de direção.

Passado o momento de se ajeitar no banco, colocar todos a bordo, assim como as bagagens, finalmente é hora de passear. Apesar de compartilharem motores da mesma cilindrada, as potências (a etanol) contrastam. O 1.6 8 válvulas da VW, com comando único, gera 104 cv de potência (15,6 mkgf de torque). O Nissan tem duplo comando de válvulas e toda a tecnologia japonesa, mas para nos 108 cv (15,3 mkgf de torque). O Fiat, também com cabeçote multiválvulas, chega a empolgantes 117 cv (16,8 mkgf de torque). Mas essa vantagem só se refletiu nas acelerações, com o motor trabalhando “lá em cima”. Em baixas rotações, o comportamento não empolgou.

Para ir da imobilidade aos 100 km/h, o silencioso 1.6 16V do ítalo-brasileiro precisou de 11s5, comparado aos 12s1 do Nissan e 12s3 do VW. Mas na retomada, mesmo com a Fiat declarando que 93% do torque está disponível a meras 2 500 rpm, o Idea sofreu. Foram 20s5 para ir de 60 km/h a 120 km/h em 4ª marcha, prova que foi cumprida em 12s2 e 14s0 por Livina e SpaceFox, respectivamente. Essa sensação de que o motor do Fiat demora para deslanchar pode ser sentida em situações corriqueiras, como quando você está em uma subida íngreme e deseja engatar a 2ª marcha no meio do caminho. Quase decepciona.

E se na somatória você já estava se sentindo bem dentro do SpaceFox, que é melhor acabado e trabalha direito em qualquer situação, na hora em que comparar o comportamento, vai se decidir por ele. O VW é o que melhor equilibra maciez e dinamismo. Já o Idea é como uma minivan e se comporta assim. Isso significa inclinar demais nas curvas. Sua suspensão foi desenvolvida para proporcionar conforto e não desempenho. No Livina, essa mescla é sensata, mas sobre pisos maltratados mostrou-se dura em demasia.

Se dinheiro lhe faz parar e pensar melhor, o Livina é o carro. Mesmo mais caro para manter, ele bebe menos e tem o seguro na casa dos R$ 2 000, como o Idea, contra R$ 3 100 do VW. Mas se o problema fosse dinheiro, você certamente iria parar nas versões básicas deles, não nestas. Estes familiares são para quem quer ver o carro com prazer e adora conviver com ele. Quem pensa assim coloca um SpaceFox na garagem.

Nossa conclusão

Volkswagen SpaceFox - Média 7,3

Venceu porque, como foi proposto, equilibra com sensatez as qualidades de espaço e prazer ao dirigir. Além disso, brinda o consumidor com um visual requintado e acabamento interno superior à média de seu segmento. É um carro tão gostoso de dirigir que, quando se está ao volante, é difícil imaginar que o seu tamanho seja este mesmo. Desde a reestilização, quando corrigiu erros históricos de seu projeto, como o excesso de plásticos e o painel de instrumentos, virou a opção mais cativante em sua faixa de preço, entre R$ 45 000 e R$ 55 000. Agrada mais gente com nível de exigência elevado, independente do segmento que se procura.

Nissan Livina - Média 7,2

Perde por descuidos em detalhes. Se beleza encanta e faz você querer um carro, o Livina sai atrás. Se você quer mais refinamento na hora de conviver com um carro, ele também vai mal. Contudo seu comportamento em nada o desmerece: acelera bem, freia bem e ainda encara curvas como se sua proposta nem fosse ser o carro da família. Ele ainda agrada em aspectos mais importantes, como os gastos com combustível e seguro. Na versão SL 1.6, traz tudo para um convívio tranquilo com o carro, além de mimos como o revestimento em couro de bancos, portas e volante. Se a paixão que lhe diverte tem um “quê” de razão, embarque nessa!

Fiat Idea - Média 7,0

O Idea melhorou em vários sentidos. Seu desempenho é muito superior ao da versão 1.4 e ele não cobra muito mais por isso. Além disso, a reestilização fez bem para o carro e o livrou dos problemas crônicos de visibilidade com retrovisores maiores. Mas ele precisa se comportar melhor dinamicamente, se aproximar mais do comportamento de um carro, não de uma van.

 

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